segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Boi Verde



Eles moram no campo aberto, longe da aglomeração. Têm tempo livre para passear pelas planícies naturais e só se alimentam de vegetais sem agrotóxicos, jamais plantados em áreas desmatadas. Para a saúde, fazem prevenção com ervas medicinais e homeopatia, como em comunidades hippies.Não consta, porém, que haja muitas delas no Mato Grosso do Sul, onde esse estilo de vida, na verdade, é o dos bois "orgânicos", criados desde 2004.Uma associação de pecuaristas do Pantanal começou o negócio da estaca zero naquele ano. Hoje, somada a um grupo de produtores do Mato Grosso, na região do Cerrado, encaminha para abate 1.000 animais por mês. Cerca de 400 deles saem do Pantanal, e o resto do Cerrado da bacia do Alto Paraguai, onde nascem os rios da região.Ainda é uma produção pequena. A pecuária convencional sul-matogrossense é cerca de 500 vezes maior que a de produção ecologicamente correta. O nome orgânico não significa que bois convencionais sejam "inorgânicos". A expressão vem da política para agricultura dessa classe de alimentos, que proíbe uso de pesticidas inorgânicos.Toda a carne bovina orgânica certificada brasileira sai hoje da bacia pantaneira e é distribuída pelo grupo JBS-Friboi, maior frigorífico do mundo. Para cada boi orgânico abatido pela empresa, porém, ela vende 570 animais criados de modo convencional.Os números pequenos, contudo, não intimidam fazendeiros que adotaram esse modo de produção. "O orgânico tem avançado muito rápido, até porque tinha pouco mercado", diz Leonardo Leite de Barros, presidente da ABPO (Associação Brasileira de Pecuária Orgânica). A entidade já certificou dez fazendas para criar gado orgânico no Mato Grosso do Sul e tem mais 12 em processo de avaliação. "Quem tem pouco avança sempre mais rápido."Barros administra com seu irmão Luciano a Fazenda Rancharia, em Corumbá (MS), onde bois pastam em campos alagáveis dividindo espaço com emas, capivaras e veados. Segundo ele outros produtores ainda têm receio de abandonar a pecuária intensiva, que requer desmate de áreas secas. "Eles acham a gente completamente maluco", diz. "Acham que nos unimos ao inimigo."O "inimigo", no caso, é a ONG ambientalista WWF Brasil, na verdade uma parceira nas negociações que consolidaram a cadeia produtiva do boi orgânico no país. Não foi algo fácil, já que boa parte da demanda por alimentos orgânicos é criada por pessoas vegetarianas."A maioria dos nossos consumidores que a gente encontra nos pontos de venda são ex-vegetarianos, que não compravam carne por conta da questão do bem estar animal", diz Josiane Stringhini, coordenadora de marketing do JBS-Friboi. O abate dos animais que chegam lá também segue procedimentos "humanitários", afirma."O boi fica um período dentro do curral, para que possa descansar, e recebe uma ducha de água morna. Depois, recebe um êmbolo de ar certeiro, próximo à testa", diz. "Assim, ele não fica estressado e não percebe que vai ser abatido."A ABPO e o WWF lançaram na última terça-feira um protocolo prometendo adotar práticas socioambientais que vão além das exigidas para certificação orgânica. Para entrar na associação, criadores terão de dar às famílias de peões acesso a escola e médicos, além de tentar criar um corredor de áreas protegidas na região. Segundo Barros, a ideia é vincular o Pantanal à carne orgânica, hoje ainda vendida sem selo de origem.

(Fonte: Folha de S.Paulo)

domingo, 13 de setembro de 2009

Homeopatia e Sustentabilidade*



HOMEOPATIA é o nome da prática secular da terapêutica destinada aos seres vivos da natureza. Também é o nome da ciência das altas diluições atualmente estudada pelos físicos, biofísicos, bioquímicos e outros cientistas de vários países. É o nome da técnica que a cada dia se torna mais usada na produção de alimentos orgânicos.

A HOMEOPATIA diminui custos de produção, é ecologicamente correta e confere SUSTENTABILIDADE aos sistemas de produção. Por isso, tem sido adotada por produtores que desejam produzir de forma orgânica, e até mesmo por aqueles que querem apenas economizar em despesas com medicamentos, ou consideram que a homeopatia é mais eficiente no controle das doenças dos animais.

Atualmente existe uma grande necessidade de preservação ambiental e SUSTENTABILIDADE, agregada a crescente conscientização da população sobre os malefícios que uma alimentação com resíduos tóxicos ocasiona em sua saúde. O Mercado Mundial tende cada vez mais a consumir carne e leite sem resíduos de agrotóxicos e ou antibióticos e o Brasil precisa se preparar para esta necessidade.

A HOMEOPATIA é a única medicina capaz de produzir o "boi orgânico", de acordo com as normas do Ministério da Agricultura (Instrução Normativa no7, de 17 de maio de 1999). Estes animais devem ser criados a pasto o ano todo, e somente o Brasil tem clima próprio para tal mister, aliado ao maior rebanho comerciável do mundo. A dificuldade de produção da carne bovina orgânica sempre foi decorrente da falta do controle de endoparasitos e ectoparasitos com medicamentos dinamizados. Hoje apenas no Brasil este controle é viável, através da HOMEOPATIA.

Os medicamentos homeopáticos são ministrados ao gado sem quaisquer problemas de resíduos ou alterações organoléticas na carne. Ademais, quando falamos em acabamento das carcaças provenientes do Manejo Homeopático, observamos uma melhor cobertura de carne e gordura, consequentemente um melhor acabamento da carcaça.


A HOMEOPATIA demonstra não apenas ser mais eficiente que a medicina tradicional, mas também não gerar resíduos tóxicos no meio ambiente, além de ter um custo menor, contribuindo para SUSTENTABILIDADE do planeta.

A HOMEOPATIA possui a capacidade de ser integrada ao Manejo Convencional, viabilizando a produção de carne com baixo teor de resíduos químicos, facilidade de manejo, incremento de produção e repressão à resistência de endoparasitos e ectoparasitos.

Assim, aliar o Manejo Homeopático aos Métodos de Pastagens Rotativas é concretizar a produção de carne bovina orgânica com SUSTENTABILIDADE, pois o Manejo Homeopático na produção de carne e leite representa a técnica do futuro devendo ser implantada no presente.


* Fonte: Arenales Fauna e Flora, 2008.

Sistema Silvipastoril*



Sistema Silvipastoril (SSP) é a combinação intencional de árvores, pastagem e gado numa mesma área ao mesmo tempo e manejados de forma integrada, com o objetivo de incrementar a produtividade por unidade de área. Nesses sistemas, ocorrem interações em todos os sentidos e em diferentes magnitudes.Os SSPs apresentam grande potencial de benefícios econômicos e ambientais para os produtores e para a sociedade. São sistemas multifuncionais, onde existe a possibilidade de intensificar a produção pelo manejo integrado dos recursos naturais evitando sua degradação, além de recuperar sua capacidade produtiva.Por exemplo, a criação de animais com árvores dispersas na pastagem, árvores em divisas e em barreiras de quebra-ventos, podem reduzir a erosão, melhorar a conservação da água, reduzir a necessidade de fertilizantes minerais, capturar e fixar carbono, diversificar a produção, aumentar a renda e a biodiversidade, melhorar o conforto dos animais.


Perspectivas para os sistemas silvipastoris


A integração e interação dos componentes pecuário, agrícola e florestal é de vital importância para o desenvolvimento sustentável. Todos de maneira a contemplar as questões pertinentes á mitigação de seus impactos no meio ambiente e permitindo a máxima biodiversidade possível, o uso conservacionista do solo, a produção e conservação da água.Assim, a introdução do componente florestal nos sistemas de produção deve se dar num enfoque que não admita mais a separação entre agricultura, pecuária e floresta, mas sim o “casamento” desses componentes no meio rural, em prol da qualidade de vida, da sustentabilidade e da estabilidade da produção. A compreensão da forma como o componente florestal contribui ou poderia contribuir nos sistemas de produção existentes permite o desenvolvimento de trabalhos técnicos para a introdução e/ou melhoramento de práticas florestais e/ou agroflorestais nas propriedades rurais.A sustentabilidade da produção animal de grande porte é ameaçada pela característica intrínseca aos sistemas de produção, baseados num reduzidíssimo número de forrageiras, invariavelmente em monocultivos, que trazem em si mesmos a degradação. A degradação decorre da instabilidade desses sistemas produtivos, onde os fatores desfavoráveis são, principalmente, de caráter biótico (ocorrência de pragas e doenças, manejo inadequado, concorrência de plantas indesejáveis) e físico-químicos (mineralização da matéria orgânica e erosão do solo, lixiviação e alterações de microclimas).Diante da importância socioeconômica da cadeia produtiva da carne e do leite para a sociedade e das divisas que proporciona, o desafio será o seu desenvolvimento em bases sustentáveis, o que difere de mero crescimento. As discussões em torno das estratégias para o desenvolvimento sustentável tem procurado pautar-se em itens que vão além da produtividade, ou sejam, da sustentabilidade e estabilidade da produção, até a justiça social.Assim, a degradação das condições do solo e dos agroecossistemas e seus reflexos na produtividade torna-se parte das preocupações que objetivam o desenvolvimento sustentável, uma vez que devemos assegurar a manutenção da capacidade produtiva dos recursos existentes.A degradação das pastagens implica também em aspectos muito negativos para a imagem desse agronegócio, devido as perdas de solo por erosão, redução da disponibilidade de água no solo, assoreamento dos corpos d’água e perda de biodiversidade vegetal e animal. As áreas de pastagem estão sob uma condição climática que determina estresse térmico calórico para os animais sem proteção e estacionalidade de produção das forrageiras, a ocorrência de geadas em algumas regiões é um agravante para a estacionalidade de produção das forrageiras. Ambos os aspectos constituem um importante problema da pecuária brasileira.Questões como a produção de forragem e bem-estar animal são influenciadas pelo microclima local e determinam reflexos no desempenho animal. A presença de árvores, dispostas de forma adequada, favorece o bem-estar animal bem como promove melhorias e proteção à produção forrageira.
Fonte: EMBRAPA, 2004

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Sustentabilidade, a palavra da vez!

Atualmente todas as grandes empresas adoram utilizar este vocábulo, talvez por estar na moda, ou por representar o “politicamente correto”. O certo é que muita gente tem usado o termo ‘sustentabilidade’ de uma forma um tanto enviesada.

Então, através de alguns conceitos, iremos tentar elucidar esta questão buscando o verdadeiro sentido da sustentabilidade que tanto se fala por aí.

De acordo com Ignacy Sachs, sustentabilidade é o relacionamento entre sistemas econômicos dinâmicos e sistemas ecológicos maiores e também dinâmicos, embora de mudança mais lenta, em que a vida humana possa continuar indefinidamente; os indivíduos possam prosperar, as culturas humanas possam desenvolver-se; mas em que os resultados das atividades antrópicas obedeçam a limites para não destruir a diversidade, a complexidade e a função do sistema ecológico de apoio à vida.
Para Gliessman, sustentabilidade significa coisas diferentes para interesses distantes, e é neste ponto que devemos atentar para que não sejamos enganados pelo emprego da palavra sustentabilidade no sentido subjacente ao discurso em que se insere.
Em uma breve análise, Gliessman afirma que sustentabilidade no seu sentido mais amplo, nada mais é do que uma versão do conceito de produção sustentável, ou seja, a condição de ser capaz de perpetuamente colher biomassa de um sistema, não comprometendo sua capacidade de se renovar.
Porém, há que se resguardar sempre o equilíbrio entre desenvolvimento e outras questões sejam elas sociais, culturais, ambientais ou econômicas. Tomando como exemplos, não podemos considerar, pelo simples fato de que se está proporcionando desenvolvimento econômico, os plantios de Eucalyptus e Pinus para a produção de celulose na região Extremo Sul da Bahia e o plantio de soja, algodão e milho no bioma Cerrado no Oeste do mesmo estado como atividades sustentáveis, pois é evidente que tais iniciativas privilegia de forma desbalanceada a dimensão econômica em detrimento das questões ambientais e socioculturais da sustentabilidade.
Então, sob um contexto mais democrático, a produção pode ser considerada sustentável quando se encontrar ecologicamente equilibrada, economicamente viável, socialmente justa, culturalmente apropriada e orientada por um enfoque holístico.

Buscando a sustentabilidade da pecuária

É possível mitigar os impactos ambientais causados pela atividade pecuária?

Sim, é possível! E sobre este aspecto, no dia 10 de dezembro de 2008 foi realizado em Brasília o Workshop sobre Sustentabilidade na Pecuária de Corte, cuja finalidade principal foi a elaboração de um documento com diretrizes para a proposta do Plano de Ação da Cadeia Produtiva da Carne Bovina, principalmente visando a diminuição das emissões de gases de efeito estufa como o metano.
Nesta oportunidade o professor Paulo Henrique Mazza da USP, apresentou resultados comprovando que o simples fato de se utilizar tecnologias que diminua a idade de abate dos bovinos, de 05 para 03 anos, pode diminuir em até 30% a emissão de metano.
Durante o evento outras medidas foram apresentadas no sentido de se viabilizar a sustentabilidade ambiental da pecuária brasileira, dentre elas foram citadas questões relacionadas ao controle do desmatamento e queimadas, recuperação de áreas degradadas com ênfase na otimização da produtividade através da utilização de forrageiras de melhor qualidade, manejo adequado das pastagens, além de implantação de sistemas silvipastoris e agrossilvipastoris.

Sobre tais medidas mitigadoras, iremos nos aprofundar em uma oportunidade próxima.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sobre pecuária e emissão de gazes de efeito estufa

O IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) afirma que a atividade pecuária é responsável por 12% das emissões de gazes do efeito estufa em nosso país. Mas, será que esta conta está correta?
Um estudo elaborado pelo CEPEA/USP, sob encomenda do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) evidencia que a metodologia utilizada pelo IPCC, não demonstra coerência ao mensurar tais emissões. Primeiro por contabilizar todos e quaisquer tipos de emissões geradas pelas queimadas nas florestas brasileiras, segundo por não contabilizar o seqüestro de carbono realizado pelas gramíneas em áreas de pastagens, e terceiro por contabilizar as emissões geradas em outros setores da cadeia produtiva, como é o caso do setor de transportes.
Veja bem, não estamos aqui para eximir dos pecuaristas a culpa pelas queimadas, pois sabemos que muitos ainda utilizam essa prática abominável, porém, hoje já existem produtores conscientes que utilizam técnicas de manejo mais eficientes e preservacionistas ao invés de utilizar o fogo como ferramenta. Ademais, outros setores também são responsáveis por queimadas e pela devastação da vegetação clímax de vários ecossistemas brasileiros.
A questão então é evidenciar o real impacto da atividade pecuária no que concerne às emissões de gazes de efeito estufa.
De acordo com os dados do CEPEA/USP (2008), uma cabeça de gado lança ao ar 1,39 tonelada de carbono equivalente (eq. CO2, unidade utilizada/ano) enquanto isto as pastagens seqüestram 0,78 tonelada deste total. Neste caso seria correto contabilizar apenas a emissão de 0,61 tonelada por animal ano, o que reduziria em 56% o índice divulgado pelo IPCC.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Pecuária e Sustentabilidade

Prezados internautas, durante minha estada aqui neste ambiente democrático e globalizado, buscarei levantar algumas discussões acerca da pecuária bovina e as questões ambientais, sociais e culturais que permeiam esta atividade.

Para começar, evidencio o grande impasse do século XXI - produzir alimentos que possam garantir a segurança alimentar mediante o fenômeno da explosão demográfica, sem que para isso seja necessária a degradação dos recursos naturais. Neste caso, fica claro a urgência da concepção progressista da gestão dos ecossistemas, viabilizando uma aliança saudável entre desenvolvimento e preservação ambiental.

Tenho conhecimento das críticas efetuadas pelos ambientalistas sobre a atividade pecuária, também tive acesso ao relatório da FAO Livestock's long shadow (Longa sombra da pecuária) onde a criação de bovinos é considerada a grande vilã do meio ambiente, e que segundo o citado relatório, ela seria responssável por índices de emissão de gazes de efeito estufa, superiores aos emitidos pelo sistema mundial de transportes, ironicamente o setor que se caracteriza pela alta queima de combistíveis fósseis.

Por outro lado, não podemos ignorar os aspectos econômicos e culturais relevantes à pecuária bovina brasileira, haja vista esta representar 5% do PIB nacional, exportando 2,53 milhões de toneladas (equivalente carcaça) o que totalizou uma soma de US$ 4,43 bilhões em exportações no ano de 2007 (ABIEC, 2008). Ademais, esta questão perpassa por fatores culturais, uma vez que a população brasileira cultiva há séculos o hábito do consumo de carne bovina, tendo neste produto uma de suas principais fontes de proteínas de sua alimentação, alcançando um consumo per capita de 36,7 kg no ano de 2007 (ABIEC, 2008).

Então, o que iremos fazer? Mudar hábitos culturais seculares e nos tornar todos vegetarianos? Destruir uma cadeia produtiva estruturada e que é responsável por 5% do PIB brasileiro?
Acabar com milhares de postos de empregos gerados nas propriedades rurais, indústrias de processamento de carnes, indústrias de beneficiamento de couro, etc.?

Deixo essas questões para que os internautas possam refletir, e mais adiante irei tentar demonstrar algumas possibilidades, falsas verdades e várias tecnologias que podem mitigar os efeitos negativos da pecuária em relação ao meio ambiente.