terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sobre pecuária e emissão de gazes de efeito estufa

O IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) afirma que a atividade pecuária é responsável por 12% das emissões de gazes do efeito estufa em nosso país. Mas, será que esta conta está correta?
Um estudo elaborado pelo CEPEA/USP, sob encomenda do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) evidencia que a metodologia utilizada pelo IPCC, não demonstra coerência ao mensurar tais emissões. Primeiro por contabilizar todos e quaisquer tipos de emissões geradas pelas queimadas nas florestas brasileiras, segundo por não contabilizar o seqüestro de carbono realizado pelas gramíneas em áreas de pastagens, e terceiro por contabilizar as emissões geradas em outros setores da cadeia produtiva, como é o caso do setor de transportes.
Veja bem, não estamos aqui para eximir dos pecuaristas a culpa pelas queimadas, pois sabemos que muitos ainda utilizam essa prática abominável, porém, hoje já existem produtores conscientes que utilizam técnicas de manejo mais eficientes e preservacionistas ao invés de utilizar o fogo como ferramenta. Ademais, outros setores também são responsáveis por queimadas e pela devastação da vegetação clímax de vários ecossistemas brasileiros.
A questão então é evidenciar o real impacto da atividade pecuária no que concerne às emissões de gazes de efeito estufa.
De acordo com os dados do CEPEA/USP (2008), uma cabeça de gado lança ao ar 1,39 tonelada de carbono equivalente (eq. CO2, unidade utilizada/ano) enquanto isto as pastagens seqüestram 0,78 tonelada deste total. Neste caso seria correto contabilizar apenas a emissão de 0,61 tonelada por animal ano, o que reduziria em 56% o índice divulgado pelo IPCC.

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